quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Quando a gente é criança, ouve que mulher é tudo competitiva, invejosa, fofoqueira, melindrosa, louca, frágil. Eu não queria ser mulher. E por muito tempo neguei minha feminilidade. Quando eu entrei pras Maravilhosas, o feminismo já estava na minha vida, bem cravadinho no coração e achava que já tava tudo bem. Mas, algum lugar dentro de mim ainda acreditava nisso, que eu tinha que eu tinha que ser melhor, mais incrível e me destacar. Que eu não podia usar roupa curta, que eu não podia ficar dançando do jeito que queria.

Quando eu resolvi entrar pras Maravilhosas eu nem sabia o quanto eu precisava. Eu tinha recém saído de um relacionamento abusivo e só queria me divertir e esquecer o que tinha passado. Mal sabia eu o quanto eu ainda ia descobrir sobre mim mesma, sobre o outro, o quanto aprenderia, o quanto me libertaria e também o quanto minha visão e amor se ampliariam.

Você fortaleceu meus músculos todos, inclusive aquele que bate. Como se não bastasse, esse também se abriu. A rede que se formou de confiança, força e muito carinho me derrubou. No dia que eu assinei os papéis do divórcio, a gente tinha aula, e quando eu cheguei, vocês fizeram festa e me perguntaram como eu tava. Eu só conhecia vocês todas há muito poucos meses. Foi um abraço coletivo que você soprou no ar. Dividir as dores, delícias e dúvidas de ser mulher nesse planeta é abrir-se pro afeto, e essa nossa força toda nasce do afeto. E o afeto, meu bem, ninguém tira.
Ele é imenso, forte, infinito e é revolucionário.
Obrigada, amor, por se permitir ser a mulher que é.
Por que quando uma mulher se cura, todas se curam! <3

Sil Strass

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