quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Destino

A minha história de amor e ódio com a dança você já conhece, todo o relato de racismo e gordofobia você já ouviu, vamos pular essa parte. 

Em setembro do ano passado me programei pra fazer uma aula sua na Paulista, ali no Pop Plus, fui toda animada e você não foi (tinha se lesionado ou algo assim), fiquei muito frustrada, tinha uma ponta de esperança de voltar a dançar. 
Bom, la fui eu te procurar no face da vida, vi umas fotos, conheci seu trabalho, e fui gostando...mas sou tímida, né!? Bicho do mato total, não falei nada. Alguns meses depois a Flavia (do Pop Plus) fez uma postagem dizendo que queria pessoas gordas pra dançar no Pop, eu comentei dizendo que dançava mas que não gostaria de dançar sozinha (bicho do mato, lembra?), você viu meu comentário e me convidou para conhecer as Maravilhosas, era o empurrãozinho que eu precisava, obvio que a vida não é  fácil, machuquei o joelho que já era ruim e fiquei uma semana de repouso. Essa semana foi horrível, queria muito voltar a dançar e na minha cabeça você tinha me chamado pra uma audição, então não podia perder (o mundo da dança que eu conhecia até então era muito competitivo, cheio de audições e mulheres se matando, puxando o tapete uma da outra por um papel, a expressão "quebre a perna" é falada de forma literal (medo!)). Quando te contei do meu acidente eu tive uma paz, você foi super calma, falou para eu me cuidar e depois ir...entendi que ali o negocio era diferente, fiquei emocionada (sou pisciana).
Depois do meu período de repouso fui conhecer as Maravilhosas, foi muita ansiedade, nervosismo e um pouco de pré conceitos, não vou mentir, ver uma branca dando aula de twerk a princípio foi meio esquisito, confesso, mas nas aulas, conforme fui te conhecendo vi o respeito que tem pela comunidade preta, pelos diversos corpos, a voz que da as mulheres que não tem voz, e  cara, isso pra mim foi muito, muito, muito foda.
Contei tudo isso pra que? Pra dizer que te acho maravilhosa, que hoje, mais do que nunca vejo sentido na dança e você faz parte disso, você me olhou enquanto mulher, preta e gorda, triplamente excluída e viu coisas boas em mim, no meu corpo, na minha dança, na minha história.
Sinto orgulho de dizer que faço parte dessa Gangue M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A!!! 


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