quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Sobre descobrir a Beyonce que habitava em mim

A gente é ensinada toda a vida que não é capaz. É desencorajada, colocada pra baixo, criticada... Vive com a alma machucada e desacreditada. E eu, não sei porque, sempre bati de frente com todas as críticas. No fundo, no fundo eu sempre soube que não podia aceitar aquilo, que não podia tomar aquilo pra mim, mas tinha vezes que eu fraquejava. Normal, né?! Logo depois eu voltava com força total e seguia em frente.
Só que no final do ano eu não soube lidar com essas críticas e caí real. Caí de uma maneira que nem eu me reconhecia. Onde tava a menina divertida que amava sair e ter todo mundo perto? Onde a Daylane forte e animada? Se perdeu... Se perdeu no "você precisa emagrecer", "seu rosto é lindo, mas você precisa cuidar desse corpo", "vai malhar, você vai se apaixonar!", "filha se você quiser a gente dá um jeito de você fazer uma bariátrica..." . Ao mesmo tempo que aquilo tudo me fazia um mal enorme, eu me sentia acolhida. Estranho, né?! Mas era o que eu sentia e, inclusive, cogitei não voltar da Bahia, em dezembro de 2016, mesmo depois de ouvir tudo isso.

Voltei pra São Paulo. Sofri na terapia. Sofri sozinha em casa. Chorava todos os dias. Estava em pedaços.

Mas um dia, um post de uma amiga me trouxe a luz. Ela estava na primeira aula do novo ciclo das Maravilhosas. Isso foi numa terça-feira de um janeiro quente. Na quarta, mandei mensagem pra você perguntando quanto tempo duraria esse curso. Na minha cabeça, era um curso livre, tipo uma workshop. Mas aí você me disse que ele duraria "pra sempre". Na quinta seguinte já estava eu, de legging e camiseta, passando calor e escondendo tudo o que me diziam não ser bonito. Mal sabia, mas eu estava entrando num caminho sem volta.

Aquelas suas palavras foram como música pros meus ouvidos. Pensei: "será que agora eu achei algo que eu realmente vou amar?!" . E me entreguei. Já tirei a camiseta e fui feliz. E desde aquele dia eu sou feliz talvez como nunca fui antes.
Entendi que sou bonita desse jeitinho aqui, com esse corpinho que Deus me deu, com todas as curvas, com a minha teta grande (que eu insistia em odiar e hoje eu amo), com meus brações de ogra fortona que conseguem se pendurar carregando essa corpão pesado e lindo na maior leveza. E fui cada vez mais acreditando em mim, cada dia mais me superando e enxergando viver a mulher que sempre batalhei pra ser. Por sua causa.

Ai Graziela Meyer... Sua poderosona... Você tem noção do poder que tem, mulher?!
Que coisa incrível é essa que você emana? É um bem querer, um carinho, uma humanidade, uma força e uma luz que talvez eu nunca tenha visto. Que contagia, que agrega, que inspira, que faz amar, que faz crescer, se superar, se transformar! Que faz a gente querer te amar ainda mais, todos os dias.
Não tem como não escrever pra você sem citar as maravilhas que você fez por todas nós. E, talvez, esse seja o seu maior presente: saber que por onde passa consegue arrebatar corações de mulheres que só precisavam de uma outra mulher como você pra se libertar. E esse dom e propósito que você tem, ninguém tira: é único e é seu.

E dentre tantos momentos e tantas palavras, o dia que me marca de todo esse nosso encontro foi o dia que você me mandou um whats me perguntando se eu topava ser a Beyonce Maravilhosa com meu squad pesadíssimo no Pop Plus. Lembra qual foi a primeira coisa que te respondi? Te amo! <3
Naquele momento eu vi que nada era em vão e o quanto você sente quem está ao seu redor.

E vou terminar dizendo pra você uma frase que você disse pra mim no domingo antes de dançarmos na Paulista, num dos áudios que eu mais chorei quando escutei: "TODAS AS COISAS QUE EU ACREDITO FAZEM SENTIDO QUANDO EU OLHO PRA VOCÊ". E fazem mesmo.

Você é Incrível, mulher!!!
Parabéns por essa vida linda que você construiu e por tudo que você é!
<3 <3 <3


Ninguém mais segura!


Querida Grazi,

Feliz aniversário!! Que alegria poder dividir esse dia com você ❊❊❊

Quando fui naquele papo da Contente ano passado, estava num movimento bastante individual de auto-conhecimento e tentativa de aceitar meu corpo, que não imaginava que poderia ser também uma movimentação coletiva e com um impacto muito maior.

Conhecer seu trabalho, sua gangue, sua energia e suas histórias é muito inspirador e não teve como ser a mesma pessoa depois da primeira aula com você - foi como uma injeção de adrenalina, dessas de levantar defunto, um verdadeiro despertar. Pronto! Era isso que eu precisava.

Óbvio que não foi da noite para o dia que comecei a me sentir Maravilhosa, mas cada vez que contava para alguém e explicava do que se travava, eu incorporava isso dentro de mim em todos os sentidos: meu corpo é maravilhoso, que produz coisas maravilhosas, junto com uma gangue maravilhosa, composta por mulheres maravilhosas.

Apesar de comer pelas beiradas e participar menos do que gostaria de todos os eventos das Maravilhosas, levo essa gangue bem junto do coração e faço o possível para propagar tudo que aprendo nos nossos encontros com o maior número de minas possível: seja uma palavra de encorajamento, um elogio verdadeiro, um suporte para uma mana, um grito contra o patriacado e, sempre junto, um rebolado.

PARABÉNS! Não só pelo seu aniversário, mas pela sua coragem, que te fez chegar até aqui e ir ainda mais longe 😘

E MUITO OBRIGADA pela sua vontade de dividir isso com a gente, por proporcionar esse ambiente maravilhoso e seguro para todas nós, por despertar uma embaixadora dentro de mim e me mostrar que, mesmo sendo uma luta individual diária, não precisa ser uma luta solitária e que juntas nessa luta podemos alcançar mais e mais pessoas. Ninguém mais segura!

Viva, Grazi! Te celebro, hoje e sempre.
beijos,
Bia
Tenho feito escolhas muito melhores na minha vida e uma delas foi me juntar às Maravilhosas, Grazi. Vem de um tempão de autoconhecimento, e finalmente eu sinto que meus "sim" e "não" estão mais bem posicionados. Com vocês eu escolho passar o pouco tempo livre que tenho, e no final virou parte da minha jornada pra manter a sanidade nesse mundo zuado machista misógino individualista. Mudei tanto de um ano pra cá que quando penso na Aline do passado só me dá vontade de abraçar ela, e apontar pro futuro prometendo que vai ser melhor, que tem gente muito maravilhosa no mundo e que o amor próprio é um caminho importante pra aprender a ser mais feliz. Dessas escolhas melhores descobri no rebolado uma expressão de liberdade que é de muitas outras formas (e graves) reprimida da vida das mulheres, pq somos julgadas o tempo todo e por todos, inclusive gente que a gente um dia escolheu ficar perto. Julgam o corpo, o movimento, a forma de falar, a forma de não falar, o tamanho que está, absolutamente sempre apontadas como inadequadas tendo seus corpos e mentes torturados das maneiras mais dissimuladas e lucrativas possíveis. Mudei as amizades, mudei as relações amorosas e as afetivas casuais (risos). Estou te escrevendo escapando de um compromisso por uns minutos, então desculpe as poucas palavras, mas queria muito registrar esse carinho pra vc saber como é importante em cada vida que seu trabalho lindo alcança e como isso muda todo um universo indiretamente. Quando um dia você apresentava a proposta das Maravilhosas de se amar e se sentir maravilhosa para uma maravilhosa nova na aula eu me emocionei; às vezes a gente tem que ouvir a mesma coisa várias vezes até tocar nossa alma de um jeito consciente, e depois que isso acontece não tem mais volta (eu ouvi um Amém, irmãs?!) S2
Meu Abraço,
Aline Rocha

Olha lá, é uma super-heroina!


Sabe de uma coisa? Um dia eu vi numa palestras uma super mulher.
Era uma luzinha meio ruiva, alaranjada, que chamava.

Eu costumo chamar de Mulher Maravilhosa ou de Super Bunda contra o Baixo-astral.

Ainda estou descobrindo os seus super super poderes (e acho que é ela também) mas incluem poder de agregamento, entrega de força, achar/devolver brilho, dar confiança, o poder do "tá tudo bem", encontrar segurança perdida...
O melhor dessa heroína (e essa tb vicia) é que ela é uma de nós.
Esta mulher chegou até aqui, juntou uns caquinhos e teve uma ideia que de tão brilhante, virou uma causa, uma irmandade, uma seita.

Nosso uniforme não é obrigatório (nada é), mas ela nos ensina a querer usar tudo pequeno pq já não queremos esconder.
Nossa mestra está no processo de salvamento junto com a gente e tem dias que "aconteceu isso mas tá tudo certo vamos aprender o golpe de mexer uma nádega de cada vez que o patriarcado não segura". E tá tudo bem, a gente segue o baile junto.

A líder que dá vontade de só parar e ficar olhando e ouvindo porque ela SE respeita, te respeita e te ensinar a fazer assim. Dia após dia numa luta dupla incansável e pesada: a Grazi luta contra o que o patriarcado nos ensinou e contra o que a gente acha que tem que ser pq eles lá nos disseram. Ela quebra as barreiras que criam para nós e as que criamos. Ela faz tudo isso num salto e sem roupa. Ela ensina pq é de verdade.

Ela ensina pq nada é inatingível e tá ali dentro de cada uma. Ela vai abrindo o caminho do lado. Ela é pioneira, é defensora, é mestra e é aluna quando sente a necessidade. A Mulher Maravilhosa ensina que mana é realmente mana e a força de uma gangue com causa. A Grazielinha tá orgulhosa de ti e toda tua gangue hoje espalha esse autoamor que tu transborda. Gracias, mil, maravilhosa. Obrigada por ser é compartilhar. O teu brilho contagia e marca a ponto de ser impossível desver. Que bom.




Por me deixar estar no caminho e me dar a mão, gracias. Teu olhar compreensivo e no fundo do olho explicando as duas regras do Maravilhosas (e da nossa vida) são algo que eu jamais vou esquecer. Prometo te ouvir mais!

Feliz cumple e vida re buena! O cuidado na foto é tão real... Já falei obrigada?



Eu sempre fui maravilhosa....
Eu e meu corpo negro cheio de curvas e uma pancinha saliente....rs....eu nao via problemas no meu corpo, mas as pessoas viam, e eu sempre pensei q esse era problema de quem pensava e julgava meu corpo, nao meu! Eu sempre usei biquíni, short, mini saia....nao estava nem aí.
Mas então o q o Maravilhosas fez por vc, vc vai me perguntar.
E eu te responderei!
Eu me casei em 10/09/11, casamento dos sonhos....Eu sempre disse q so me casaria qdo estivesse completamente apaixonada e foi assim q aconteceu! Eu negra, espírita, bancária estava me casando com um pastor, branco e protestante...duas pessoas completamente diferentes q a vida e o amor uniu.
Mas Deus tem lá seus caminhos e nós os nossos aprendizados.....um ano e meio depois descobrimos q o meu Lu estava com câncer, super agressivo e em estágio avançado. Nossa luta durou 2 anos e 3 meses e o Lu voltou pra casa em 05/06/2015.....muita luta, dor, sofrimento e vazio.....
Aí entra a maravilhosa Grazi na minha vida!
Me convidou pra participar do Maravilhosas, começou a me ensinar pole, me ligou a várias mulheres incriveis q fazem parte desse coletivo! E a responsável pelo nosso encontro é a Lelê, amiga q conheci no trabalho e virou amiga da vida!
Qdo a gente assiste quem a gente ama indo embora, qdo a gente vê o último suspiro dela, qdo a gente acompanha quem  a gente ama morrer todo dia um pouquinho, acaba desistindo um pouco da propria vida e precisa de amor, força e coragem pra continuar, precisa de novos sonhos, novos projetos, novos horizontes.....
E a Grazi me ajudou e me ajuda nessa busca de sentido em uma nova fase da minha vida!
Amiga! Seu trabalho é maravilhoso!!!!! Vc vive aquela máxima de amar a próxima como a si mesma! A fazer pra outra o q quer pra si!
Tenho muito orgulho e vibro pra q vc tenha vida em abundancia ❤

Eu te amo e te agradeço pelo imenso bem q faz ao meu coração hj e sempre!



A gente serve sim! A gente é ótima!

Nunca escrevi num blog, estou emocionada!

Eu conhecia e admirava as maravilhosas de Facebook e Instagram e ficava ansiosa esperando o dia em que fossem abrir vagas pra eu poder ser parte daquilo. Até que o dia chegou! E mesmo sem conhecer ninguém lá eu fui voando pra aula (mesmo com um estiramento que eu devia cuidar e ficar de molho). Que alegria poder ter chegado perto da musa inspiradora e das tantas mulheres fodas que estão ao redor dela! A rede de apoio que ela nos proporciona é incrível.

Acho que a primeira lição que a Grazi dá é a que eu mais tento (e preciso) levar pra vida: não se criticar e celebrar o que podemos fazer.
Ela fala isso da dança, mas a gente precisa levar pra vida. A gente é foda, dá um duro danado, todo mundo tem sua história de superação particular e a gente aiiiiiiinda se critica e se cobra tanto. Não, não e não! Vamos celebrar quem somos! E Grazi é alguém que nos lembra sempre que precisamos celebrar. Grazi vive celebrando (a si e às suas) e nos inspira a celebrar.

Ela falou (em algum dos muitos lugares em que já vi entrevista/vídeo/depoimento dela pois muito famosa <3) algo como "meu corpo é ótimo do jeito que ele é, foi ele que me possibilitou ser quem eu sou e viver tudo o que eu vivi até aqui" e isso foi um clique muito grande na minha cabeça. Passei a me ver com olhos tão generosos depois disso, que nem sei como agradecer.
Além de todos ensinamentos que ela nos dá só por ser quem ela é (livre, autêntica, generosa, acolhedora), Grazi ensina que a gente serve sim! E faz a gente lembrar disso o tempo todo. Afinal a gente é boa sim! Nosso corpo é ótimo sim! Somos maravilhosas sim!

E ter alguém nos inspirando e nos lembrando disso o tempo todo é uma benção das deusas.
Dizem por aí que a gente aprende muito mais com o exemplo do que com as palavras. Deve ser por isso que as maravilhosas são tão maravilhosas! Vida longa à nossa Grazi!

Beijos com muita muita gratidão da Isa(bela!!! hahaha), advogada AND maravilhosa


Descoberta

Grazi querida,

Parece que fazem vários meses que eu cheguei na aula, tímida, à convite da Mina. Estava morrendo de vergonha, porque pra mim aula de dança era sinônimo de vexame em público já que sempre fui "dura" e descoordenada. Mas foi só pisar naquela sala que minhas inseguranças ficaram pra trás. Foi mágico, mesmo, e essa mágica se estendeu pra várias outras áreas da vida: passei a me sentir mais segura com as partes do corpo que considerava "defeitos", não dei mais tanta bola pra minha descoordenação, me soltei pra aprender a rebolar, aprendi a ser mais desencanada. Você me trouxe mais um monte de coisa incrível, como se não bastassem a força, a segurança e o rebolado: meninas massa, música boa, risadas (das pessoas mais divertidas que existem), um espaço na agenda toda semana pra dançar (e isso não é pouca coisa). E é muito, muito bonito como vc vem transformando a vida de tantas meninas ao seu redor. Isso é uma das coisas mais preciosas que eu vi em muito tempo. Que sorte a nossa de ter vc na nossa vida.
Que venham mais 100 anos de rebolado, amor, força, saúde, luz, calmaria e tempestades boas, sonhos realizados, boas surpresas e alegrias, e que tudo de maravilhoso que vc dá pras pessoas à sua volta volte em triplo pra vc.

Um beijo enorme e feliz aniversário!
Carol Orberg.

A redescoberta

A vida é uma eterna redescoberta. Existem algumas que a gente vai atrás, e outras que a gente nem desconfia que precisa. As Maravilhosas entram nesta categoria. Conhecer vocês foi me reconhecer, ver uma outra mulher e um outro mundo. Foi abrir as portas para uma revolução, e eu só tenho a agradecer.

A gente cresce tendo problemas com o corpo, enxergando-se inconveniente, incompetente, muito isso ou muito aquilo, mas nunca o suficiente. O empoderamento é difícil, é dolorido, é preciso força, respiro profundo e vontade. Podemos ir sozinhas, mas juntas é melhor. Precisamos ter a nossa gangue.

Conheci as Maravilhosas via instagram dazamiga e questionei: o que é isso? Uma mulherada linda, diferente, cheia de glitter e maiô no meio do carnaval, rindo e abrindo espacate no meio da rua? O QUÊ, EU QUERO!

E fui.

E na aula de dança, minha primeira aula, fiquei boquiaberta com o tanto de bunda rebolando. O tanto de meninas incríveis, guiadas por uma professora que me fez suar MUITO, dançando e pulando, ficando de quatro no chão, batendo bunda mesmo e rindo muito.

E eu não sabia. Não sabia o que era aquilo, não estava acostumada àquela sensação de que tudo era possível.

De repente eu podia sim dançar, eu podia me olhar no espelho e ver outra pessoa. Eu podia escalar uma barra de ferro fininha, segurar o meu peso na virilha, ficar de ponta-cabeça sem as mãos! E escalei, e pança nenhuma me impediu.

Redescobrir a minha relação com meu corpo, com minhas amigas, com mulheres maravilhosas foi a coisa mais incrível que poderia ter acontecido.

E tudo isso foi graças a você, Grazi.

Você e a sua ideia de ajudar mulheres a ser o melhor que elas podem, de bater a ppk no chão como forma de se posicionar, de gritar pro mundo que ser mulher é luta diária, mas também é lutar com muito estilo.

Obrigada por tudo, querida. Aproveita o seu dia

E eu quero ouvir o seu discurso sobre celulite, heim?

Destino

A minha história de amor e ódio com a dança você já conhece, todo o relato de racismo e gordofobia você já ouviu, vamos pular essa parte. 

Em setembro do ano passado me programei pra fazer uma aula sua na Paulista, ali no Pop Plus, fui toda animada e você não foi (tinha se lesionado ou algo assim), fiquei muito frustrada, tinha uma ponta de esperança de voltar a dançar. 
Bom, la fui eu te procurar no face da vida, vi umas fotos, conheci seu trabalho, e fui gostando...mas sou tímida, né!? Bicho do mato total, não falei nada. Alguns meses depois a Flavia (do Pop Plus) fez uma postagem dizendo que queria pessoas gordas pra dançar no Pop, eu comentei dizendo que dançava mas que não gostaria de dançar sozinha (bicho do mato, lembra?), você viu meu comentário e me convidou para conhecer as Maravilhosas, era o empurrãozinho que eu precisava, obvio que a vida não é  fácil, machuquei o joelho que já era ruim e fiquei uma semana de repouso. Essa semana foi horrível, queria muito voltar a dançar e na minha cabeça você tinha me chamado pra uma audição, então não podia perder (o mundo da dança que eu conhecia até então era muito competitivo, cheio de audições e mulheres se matando, puxando o tapete uma da outra por um papel, a expressão "quebre a perna" é falada de forma literal (medo!)). Quando te contei do meu acidente eu tive uma paz, você foi super calma, falou para eu me cuidar e depois ir...entendi que ali o negocio era diferente, fiquei emocionada (sou pisciana).
Depois do meu período de repouso fui conhecer as Maravilhosas, foi muita ansiedade, nervosismo e um pouco de pré conceitos, não vou mentir, ver uma branca dando aula de twerk a princípio foi meio esquisito, confesso, mas nas aulas, conforme fui te conhecendo vi o respeito que tem pela comunidade preta, pelos diversos corpos, a voz que da as mulheres que não tem voz, e  cara, isso pra mim foi muito, muito, muito foda.
Contei tudo isso pra que? Pra dizer que te acho maravilhosa, que hoje, mais do que nunca vejo sentido na dança e você faz parte disso, você me olhou enquanto mulher, preta e gorda, triplamente excluída e viu coisas boas em mim, no meu corpo, na minha dança, na minha história.
Sinto orgulho de dizer que faço parte dessa Gangue M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A!!! 


O dia que eu descobri que eu sou "Mara o quê? MARAVILHOSA"

Eu conheci as maravilhosas num dia de uma conversa de duas garrafas de vinho com uma das minha melhores amigas. Nessa conversa, eu contava pra ela minha relação destrutiva com várias coisas que eu vinha fazendo na minha vida e que, no fundo, eu sabia que tudo aquilo era fruto da minha insegurança como mulher, da minha falta de auto estima e que, viver aquela autodestruição era uma forma de me anestesiar e não me importar com o que acontecia do lado de fora. 

O que acontecia do lado de fora era minha total insatisfação de ser eu, do corpo que me mantinha até a mente que me conduzia. Era quase que uma certeza de que eu ia morrer solteira mesmo, afinal, nenhum boy ia querer ficar com alguém assim e, além disso, que eu não era nada feminina, nem capaz de fazer qualquer coisa que uma menina feminina faria.

Foi aí que essa amiga rapidamente pegou o celular e digitou no Instagram "maravilhosascdb" e disse que era daquilo que eu precisava. Eu comecei a seguir e diferente de todas as outras indicações que ela já tinha me feito na vida (ela e outras amigas), essa eu não ignorei. No outro dia já mandei mensagem e pra minha surpresa já tive o primeiro contato acolhedor que precisava ter.

Fiz essa introdução para você entender como eu cheguei até aqui. Todas essas feridas ainda estão muito abertas em mim mas posso dizer, com certeza, que estar com você já me fez quebrar padrões e trazer noções sobre mim e sobre meu corpo que eu acho que ficaria mais a vida inteirinha pra ter. Já fiz muita terapia nessa vida e só a sua força e a sua vontade de mostrar pra gente como somos capazes e maravilhosas, me fizeram acreditar também que sou tão boa e tão mulher quanto qualquer outra. 

Melhor que isso, me mostrou também que somos lindas, fortes, engraçadas e poderosas juntas

Devo à você, mas também a elas, que do jeitinho que você ensinou, me fizeram sentir maravilhosa e acolhida em todas as aulas nas quais eu e meu perfeccionismo nos sentíamos um patinho feio e, principalmente, quando chorei ao, nitidamente, ver meu corpo não me obedecer pq minha mente não confia em mim. Foi muito dolorido, mas eu senti que tenho um grupo que vai me ajudar, me proteger e me cuidar, mesmo sem nem ter visto minha cara direito. 

Você criou para nós um lugar aonde podemos ser quem somos e ficar em paz com isso. Você tem noção do que é isso? Isso é o que a maioria das mulheres buscam. Você conseguiu

Obrigada por ter me ajudado a descobrir que sou maravilhosa, que meu corpo pode rebolar, se pendurar numa barra, sensualizar, que eu posso dançar de shortinho sem medo de alguém reparar nas celulites e na gordura da barriga, sorrir sem medo de alguém reparar no meu aparelho, me olhar no espelho sem desviar os olhos com tristeza.

Eu ainda não faço isso em todos os lugares que vou, mas aí é só lembrar que eu faço parte das Maravilhosas e eu me encho de orgulho. Me sinto realmente invencível. Fodona. Do caralho.

Parabéns, Grazi. Não só pelo seu aniversário, mas por tudo isso!
Com amor,

Raquel Tetti.
(Mais conhecida como a rainha do textão)
Quando a gente é criança, ouve que mulher é tudo competitiva, invejosa, fofoqueira, melindrosa, louca, frágil. Eu não queria ser mulher. E por muito tempo neguei minha feminilidade. Quando eu entrei pras Maravilhosas, o feminismo já estava na minha vida, bem cravadinho no coração e achava que já tava tudo bem. Mas, algum lugar dentro de mim ainda acreditava nisso, que eu tinha que eu tinha que ser melhor, mais incrível e me destacar. Que eu não podia usar roupa curta, que eu não podia ficar dançando do jeito que queria.

Quando eu resolvi entrar pras Maravilhosas eu nem sabia o quanto eu precisava. Eu tinha recém saído de um relacionamento abusivo e só queria me divertir e esquecer o que tinha passado. Mal sabia eu o quanto eu ainda ia descobrir sobre mim mesma, sobre o outro, o quanto aprenderia, o quanto me libertaria e também o quanto minha visão e amor se ampliariam.

Você fortaleceu meus músculos todos, inclusive aquele que bate. Como se não bastasse, esse também se abriu. A rede que se formou de confiança, força e muito carinho me derrubou. No dia que eu assinei os papéis do divórcio, a gente tinha aula, e quando eu cheguei, vocês fizeram festa e me perguntaram como eu tava. Eu só conhecia vocês todas há muito poucos meses. Foi um abraço coletivo que você soprou no ar. Dividir as dores, delícias e dúvidas de ser mulher nesse planeta é abrir-se pro afeto, e essa nossa força toda nasce do afeto. E o afeto, meu bem, ninguém tira.
Ele é imenso, forte, infinito e é revolucionário.
Obrigada, amor, por se permitir ser a mulher que é.
Por que quando uma mulher se cura, todas se curam! <3

Sil Strass

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Driver, roll up the partition, please!

Oi amiga!

Fui desafiada a me expressar! 

Expressar meu amor por você aqui? 💗
Também (sou capricorniana e demonstrar sentimentos é foda), mas a real é que esse desafio veio ha mais de um ano.


Eu sempre quis dançar, mas sempre foi algo muito intimo meu. Sabe aqueles filmes de dança? Dirty Dance, Show bar, Se ela dança, eu danço? 
Meu sonho! 
Dançava em festas, a dois e na frente da TV. Olha… Dancei muito na frente da TV e não só como criança ou adolescente, não, como adulta também. 
Só que sempre fui tímida e tinha uma postura meio reservada. 
Precisava destravar… precisava de técnica. 
Mas calma ai, Lelaine, você é velha! Você é mãe! 
Afff foram sempre tantas exigências comigo mesma!!! 
Nossa, e o meu corpo???? Passei por um processo lento de aceitação do meu corpo após o fim de um relacionamento abusivo. Isso ia desde peitos, a cabelo e estrias. Você sabe! 
Mas eu estava chegando la! Estava mais segura comigo, ja tinha começado a transição capilar e tinha decidido começar a dançar. Por uma surpresa do destino, achei você! 


Seu discurso no primeiro dia... Aquele mesmo discurso que eu escuto a cada aluna nova! Sempre mexe comigo! Foi bem fundo no meu coração  e parece que virou uma chavinha dentro de mim. Essa coisa de ser generosa com nos mesmas, de aceitar nossos limites e de que cada marca do nosso corpo conta nossa historia parece simples, claro, mas nunca tinha feito tanto sentido como a partir daquele momento. 

Ali você me desafiou, amiga! 

Me desafiou a expressar o amor por mim mesma atraves do meu corpo. Aprendi a me aceitar e a me respeitar do jeitinho que sou. Ah… meu sonho estava se realizando! Eu estava dançando! Cara, que frio na barriga a cada coreo nova, a cada festa que foi surgindo, a cada momento juntas. 

Juntas! 

Fizemos tanta coisa juntas! E esse juntas foi crescendo… essa gangue linda e forte que as Maravilhosas se tornou! 
Tudo isso é mérito seu, amiga! Seu trabalho, seu carinho, sua dedicação por cada uma de nos. Sua voz que nunca se silencia para dizer o que você acredita ou para dar uma palavra de apoio. Sua disposição para tocar o terror! Você dançando é puro poder! Sem falar na vida de empresária que você agora precisa conciliar! 

Afff quanta admiração eu tenho por você

Mas admiração por si só te transformaria numa pessoa intangível pra mim. E você não é! Você virou minha amiga! Que presente mais maravilhoso da vida você permitir eu fazer parte da sua! Amo muito você! Amo por tudo isso e por tudo mais!


A propósito, parabéns! Seja feliz, conquiste seus sonhos, seja generosa com você mesma! Sua historia é linda e de muita coragem. Ha muito ainda por vir! Te desejo todo o sucesso e saúde do mundo!

Muito obrigada, muito mesmo! Conte comigo para tudo que precisar!

Um beijo muito carinho, um abraço bem apertado!
Um feliz aniversario!

Lelê 💋

PS: Cadu falando: feliz aniversario, Grazi. tenha muita saúde, muita felicidade, beijos, abraços e que você consiga tudo o que desejar #metendooloko

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Se juntas já causa, imagina juntas!


Bem que o Henrique avisou, nós deveríamos ser amigas! hahaha

Nunca imaginei, que minha atitude de ir no teu Workshop de Maravilhosas, ali na Duda, só pra te dar uma força, um apoio moral, afinal tinhas acabado de mudar pra São Paulo, e essa cidade não é muito fácil quando a gente chega, ia acabar em mudar completamente a minha vida!

Eu toda dura, travadinha de academia, a cada sábado a tarde ia me soltando mais. E ali naquela sala, eu conheci o pole dance, coisa que nunca me atraiu, nunca me interessei, (afinal, coisa de puta, onde já se viu), e por causa de ti, das tuas postagens, dos teus vídeos, e dos nossos sábados a tarde no estúdio da Duda me abriram os olhos, e eu descobri uma nova paixão! Que mergulhei com todas as forças!

E a Lelê? Ahhh que maravilha de amiga que fizemos nesses sábados a tarde! Nos aproximamos tanto, que nem parece que a gente se conhece faz um ano só <3


E depois de esses poucos meses, já estávamos nos apresentando no pole no Sp na Rua;


Quase na Cracolândia, na Luz: 

Na nossa tour internacional por Floripa:

E toooodas as Pilantragis que nos apresentamos! 

E naquela primeira que teve no rooftop,
depois de muitas horas bebendo, lá pelas 4 ou 5h da manhã, você me perguntou: Tá, tu vai se demitir, e vai fazer o que depois? Vamos abrir um estúdio de pole dance? 
Nessa hora eu vi que talvez tudo que eu desejava nos últimos anos (horários alternativos, trabalhar com o corpo, me exercitar muito, não ter chefe) poderia ser resolvido com essa proposta!

E ficamos de conversar em janeiro de 2017, veio o carnaval, que trouxe essas maravilhosa tudo que viraram nossas melhores amigas, montamos o estúdio, 



passamos por muitos perrengues, gentes uó no caminho, muitas alegrias, e cá estamos, nos mudando pra um lugar maior, pra dar conta de atender todas essas maravilhosidades que aparecem nas nossas vidas! Que vida boa essa que a gente tá construindo hein??? <3 <3 <3 Contruindo um GRANDE IMPÉRIO!

Feliz Aniversário Miga! Que tudo de mais lindo sempre aconteça na tua vida! A senhora é muito iluminada, isso se vê fácil de longe, e principalmente de perto! Beijas!! <3


Se juntas já causa, imagina juntas????





:')

Grazi, querida!

Que sorte a minha alguma coisa ter cruzado nossos caminhos... Que mulherão que a vida escolheu pra colocar você como minha professora <3

Tem umas coisas que aconteceram que eu NUNCA vou esquecer... Estávamos na sua casa fazendo uma aula de pole... você disse "Aperta até as celulites aparecerem... Tem que ficar assim ó: *e apertou sua coxa*" eu perguntei " Que celulite Grazi?" e você disse "Essas aqui <3 *e beijou as que apareceram". Achei uma graça e desde então amo minhas celulites.

A partir daí, passei a te considerar uma mulher foda, sem limite, sem paredes, livre e liberta... Que nada poderia te vencer e me cobrava para ser assim... Até que você me contou com muita dor no coração sobre uma das vezes que um cara escroto te assediou de uma maneira super nojenta e que você ligou pro seu irmão... Ali eu entendi quando você dizia "Tudo bem se um dia não estiver tudo bem". Aquela mulher incrível, também sentia dor e tinha dias que aquele sorrisão deixava de aparecer sim. E tudo bem, porque o mundo é uma coisa difícil as vezes...

A outra coisa, é aquela lousa na sua sala "And now that you don't have to be perfect, you can start to be good" e não tem mais nada pra dizer depois disso né? Ainda bem que eu comecei a fazer as aulas naquela sala deliciosa, que chovia dinheiro pela janela as vezes <3

Eu sempre me senti amedrontada quando ouvia "Natália" é longo... as pessoas costumam dar apelido e só chamam assim quando algo de muito errado aconteceu. Mas quando você diz eu penso "Essa Natália deve ser um mulherão pra ela falar ele inteiro e amo e visto essa camisa" (e acredito que saber disso é um puta presente pra você)

Eu quero te dizer que mesmo quieta as vezes, tô ali do fundo te mandando todas as energias boas que podem existir porque sinto todas elas vindo de você pra todas as maravilhosas! Fiz umas amizades deliciosas que quero levar pro resto da vida! Obrigada por ter reunido essa gangue pra tocar o terror nessa porra toda.

Que nesse fim/começo de ciclo todas as coisas ruins virem apenas lembrança de aprendizado e não de dor, que a velocidade que seus sonhos se realizem seja 100x maior que aquela vontade de desistir que aparece as vezes e é tão inevitável, você é colorida, é sorriso, é alegria e eu só desejo que nada isso mude! Que você continue sendo essa pessoa que nós amamos muito!

Estamos aqui pra conquistar esse mundão com você!

Um beijo e um super abraço,

Natália <3


"A inspiração que a gente quer"

Oi, Grazi!
Descobri sua MARAVILHOSA existência nesse mundão através da palestra na Unibes sobre a internet que a gente quer. Naquele dia, um monte de minas legais falariam, inclusive, você.
Depois de ver a publicidade do evento com a tua foto, eu só conseguia pensar: Se por fora é colorida assim, IMAGINE POR DENTRO!
Dito e feito. Depois de marcar a minha aula experimental das MARAVILHOSAS CDB (NOVEMBRO/2016 - JÁ QUASE 1 ANO) e ouvir as regras básicas do coletivo, eu comecei a ver todas as outras cores que antes só apareciam em preto e branco. 
O preto e branco é legal, mas a diversidade é mágica!
E é assim que vejo você: uma mulher que tem todas as cores do mundo; que luta por elas e para elas; que não tem preconceito por nenhuma delas; que se permite ser cada uma delas e todas juntas; e não permite que ninguém te pinte e nem tuas pupilas de qualquer outra cor que não seja aquela que envolva amor, afeto, respeito, acolhimento e encorajamento! 
Veja só, depois do teu CAROL DIVA, eu nunca mais serei menos que isso. Obrigada.
Desejo que teu novo ciclo seja muito especial e que todos os seus desejos sejam realizados.
"Tudo pode ser, só basta acreditar. Tudo que tiver de ser será!"
Beijos multicoloridos!!!


Manita linda
Uma das primeiras coisas que reparei em ti foi uma das tuas tatuagens, a que diz "eu sou amor da cabeça aos pés". Confesso que a minha reação instintiva foi pensar "eike gratiluz, eike que priguis" (tenho trauma de quem veio das Ciências Sociais, sorry).
Aí a gente sentou pra conversar durante um café lá na Iracema e tu me falou das maravilhosas, das tuas percepções sobre as violências que as mulheres, e os nossos corpos sofremos. E tu foi te mostrando essa pessoua, essa força toda. Xoney, mica.
Eu acho (mesmo, olha que míshtica) que tem gente que aparece na hora que precisa aparecer. Você, a Lolô, as Maravilhosas, eu precisava demais naquele momento.
Tava lá enfiada num rolê que transformou uma das minhas libertações, que é o pole, em um lance competitivo, cagador de regra e chato. Precisei de você(s) na minha vidinha pra voltar a me divertir fazendo forcinha e rebolando. Inclusive sigo precisando. É tanta lindeza que nem sei dizer, mani.
Parece que faz um tempão, mas faz um tempinho e já causou isso tudo (se juntas já causa imagina juntas), tanta coisa marabrilhosa na minha vidinha <3. Opricata <3
Conclusão da poha toda: tu é mesmo mesmo amor da cabeça aos pés, passando por essa bunda mais amada do Brasil <3
Te amo, mani. Feliz último ano de trintona. Muito brilho, muito twerk, muito fervo!!
Marina
Hoje, uns dias antes do teu aniversário, você postou que o mundo é bom - no meio de um monte de chorume, no meio de um monte de coisa ruim acontecendo, no meio de um monte de bomba que a gente recebe e fica completamente desacreditada de estarmos retrocedendo tanto. Você postou que o mundo é bom, porque você é assim, Grazi: você não só fala e insiste que o mundo é bom, mas você reúne toda essa força absurda que tem dentro de você para efetivamente fazer alguma coisa para deixar o mundo um pouquinho melhor. Um poucão. Um montãozão. Um tantão do tamanho de todas as nossas belas bundas enfileiradas e dos nossos braços dados.

Você é isso aí, Grazi. Essa força absurda, esse sorrisão e essa energia destruidora que carrega a gente quando precisamos e que deixa a gente ir sozinha quando estamos prontas. E que insiste que o mundo é sim, bom, bom pra caralho, o mundo é maravilhoso porque a gente é maravilhosa, e mesmo quando o mundo não estiver sendo bom com a gente - e tudo bem não estar tudo bem, de vez em quando - o mundo é bom porque é o único lugar em que a gente poderia ter se encontrado, essa gangue tão maravilhosa, é o único lugar em que a gente pode contar a nossa história com os nossos sorrisos, nossas bundas, nossas dobras, nossos movimentos, e é o único lugar que a gente pode seguir mudando, juntando, compartilhando, e espalhando glitter, porrada e amor.

Já disseram aí embaixo que é muito difícil falar de você sem falar de toda a mudança que você imprimiu na gente, em cada uma, individualmente, e nas Maravilhosas, como um grupo, mas eu tenho certeza que esse é um presentaço pra você. Pros dias que o mundo for esse lugar difícil e opressor, saber que sempre vai ter 1, 2, 5, 10, 100 garotas prontas pra estar do seu lado, ligar o som, e sacudir tudo. Pra você saber sempre que a mudança que você espalha por aí é irreversível e absolutamente necessária. E profunda. Que ninguém sai indiferente de uma troca com você. Lembra sempre disso. Esse é teu presente pra gente e o nosso, pra você, é continuar brilhando do teu lado.

Ninguém vai te parar, mesmo. E ai de quem tentar.

Que o novo ciclo venha ainda mais cheio de maravilhosidade, de glitter e purpurina, de tiro porrada e bomba e surra de bunda e carão; e que te traga também amor e serenidade, e a certeza de que o mundo é um lugar legal pra caralho e tua passagem aqui está sendo memorável. Feliz, feliz, feliz aniversário! Continue, sempre, que a gente continua junto :)

beijo enorme!
da Isa (dora)

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Conheço a Grazi pelos olhos da Lolo, mas isso já é o suficiente para admirar! O Maravilhosas é um lacre! O ideal, o projeto, a prática! Realmente não tem outra palavra p/ descrever! É transformador, empoderador, forte... simplesmente MARAVILHOSO! Parabéns pelo aniversário e por transbordar toda essa força de uma forma tão linda! Beijo, de uma pupila indireta! Rs

Ma-ma-ma ravilhosa rainha :)

Grazy, que seu novo ciclo seja cheio de luz e purpurina nessa linda bunda :) Todo mundo tem um propósito e passa na vida das outras pessoas com um porquê. Lembro de querer dançar, de querer ter amigas e me divertir. Foi isso que vi quando olhava as fotos carnaval da Isa, pensei como faz para ser assim? Ai encontrei você, com aulas que não tem certo ou errado, que o importante era se sentir dona e feliz com o seu corpo. Eu dancei em um maiô emprestado, sem saber a coreografia em um dia frio no terraço do Tomie Ohtake. Nada importava porque eu estava muito feliz. Foi você que me mostrou como ser feliz assim, bastava estar lá e rebolar a raba como vocês falam. Quando você fala para as meninas para ter calma e mostra seu coração enorme, que as vezes não adianta comprar a briga porque tem boy que vai morrer falando merda. Quando vejo em todas as fotos você bem atrás das meninas pq se elas caírem você vai estar lá para segurar. Quando você perguntava nas aulas se eu ia tentar virar de ponta cabeça e plantar bananeira haha, você acreditava em mim, mais do que eu mesma. Você tem essa coisa no olho que passa confiança, que lembra um misto de mãe, irmã e amiga. Agradeço ao universo por ter te encontrado <3 por ter passado na sua vida e você na minha. Graças a você, ando como a Beyonce toda vez que a música dela toca e fico rindo sozinha. Não estou nas aulas, se um dia volto ainda não sei. Só sei que sempre serei maravilhosa e agradeço a você por conseguir enxergar isso. Grazy brilha e continua que tá lindo <3 Náthaly Himmel

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

HELLOR MIGA

Primeiramente Fora Temer. Segundamente FELIZ ANIVERSÁRIO!!! Brilha demais nesse seu novo ano! Terceiramente te desejo um mar de coisas boas nesse seu réveillon particular porque você merece demais, mas demais mesmo.

Acabou que eu não te dei tchau. Talvez melhor, ficou um até loguinho. Sabe, pra todo mundo que eu falo de você, alguma hora a pessoa diz “ela é muito especial pra você, né?” e eu digo “sim, ela é incrível, ela mudou minha vida”. Claro que todo mundo tem um impacto na vida de todo mundo, mas mudar? Não acontece muito. E não é que você chega pra dizer que vai fazer isso, é uma visão de mundo que você apresenta e que não dá pra voltar atrás, graças a deusa. Eu digo que é seita por isso. 

Mas no fim do dia, mudar a minha vida é massa pra mim, mas e daí? O que me leva às lágrimas é ver quantas vidas você muda, de tantas mulheres tão incríveis que puderam se encontrar, trocar, unir, criar, se libertar. O Maravilhosas como um todo mudou a minha vida, mudou muitas vidas. Eu espero que a gente consiga nos encontros, nas aulas, te devolver isso, te apoiar também pra você voar cada vez mais alto.

Aquelas histórias que a gente já contou várias vezes, mas vale deixar registrado aqui junto com as outras. Eu estava muito perdida quando te encontrei. Todo meu plano de vida desde menininha tinha se despedaçado quando eu me divorciei. Eu não estava procurando um grupo de dança, não estava procurando pole (nem me liguei que tinha pole até entrar no estúdio). Eu fui porque eu queria o teu discurso, eu queria entender como me amar, como me apropriar do meu corpo. E não digo nem voltar a me amar ou me reapropriar de mim, porque acho que nunca tinha feito isso genuinamente. E lá, na primeira aula, entendi, quis, me converti.

Eu decidi prestar o mestrado aqui logo depois. Foi esse o processo de reconstrução que eu passei no último ano, que eu nunca fui tão eu, que não sei se teria acontecido de outro jeito. Sem tua mão me segurando pra eu não cair da barra, sem teu impulso pra eu levantar e mexer a bunda pra fazer alguma coisa. Olha quantas metáforas maravilhosas que bundas e barras têm!

Dia desses eu falei alguma coisa e você me chamou de gêmea. Me senti o máximo, ser gêmea sua, aff, apenas muito poderosa. Às vezes penso numa figura de irmã mais velha, às vezes mais materna, irmãe. Mas você tá só sendo você e as pessoas ao seu redor têm o privilégio de poderem se beneficiar da sua existência. Todo esse monte de minas (rá), manas, soeurs, sororidade afinal de contas.

Então reforçando o terceiramente, te desejo uma infinidade de amor, farra, boas surpresas e bons encontros.

E quartamente, vou apenas deixar essa imagem que fala por mil palavras. Gente bem normal conversando conversas normais numa postura normal num horário normal de estar fazendo festa. Incluí uma moldura festiva. Te amo, saudades, saudades do Marquinhos.


Feliz Grazi Day!

Uma amiga que respeito e admiro muito uma vez me disse: quando tu desejar feliz aniversário para outra pessoa, fala só do aniversariante e não do que essa pessoa representa para ti. Acontece que essa mesma amiga me disse recentemente outra coisa que nunca esqueci: tu és OUTRA PESSOA DESDE QUE A GRAZI ENTROU NA TUA VIDA. Portanto, vou pedir licença aqui para desobedecer o conselho por um motivo bem simples: sem falar o impacto que tu tiveste na minha vida não posso mostrar aos outros a pessoa incrível que tu és. 

Assim como a Bruna, eu sou Paquita da 1º geração: comecei a fazer aula do Maravilhosas quando teve uma aula experimental em junho do ano passado. Cheguei de calça de cotton e camisetão e vi meu corpo até então acostumado com o balé clássico – mas que há anos já não era de bailarina – fazer coisas que jamais pensei possíveis (alô twerk e tremidinha de bunda!!!).

Ajoelhei no chão, fiz fake-espacate, quadradinho, chair, dancei Anira e tudo mais até ter coragem de chegar ao pole na tua casa. E acho que a mudança interna que vinha se construindo a cada aula de Maravilhosa se tornou definitiva naquele dia em novembro. Ter aquele espaço seguro me fez despertar para a minha maravilhosidade mais do que qualquer coisa e a fazer as pazes comigo. Teus gritos de incentivo – pobre do Henrique - a felicidade compartilhada a cada conquista, a roupa cada dia mais curta e o corpo parecendo cada vez mais normal e aceitável na frente do espelho: foi muito emocionante viver cada uma dessas pequenas conquistas ao teu lado. E foi emocionante ver as tuas conquistas , óbvio: a casa que virou estúdio, o carnaval que mudou o rumo das Maravilhosas, as matérias nos jornais, revistas e internetas desse mundão (jornalista ama um clipping, né?!). Que baita ORGULHO! 

Ao longo desses meses fui ganhando força para sair de um emprego de merda, de um relacionamento péssimo e para voltar a buscar a vida que sempre quis. Foi a partir da generosidade do teu olhar comigo E CONTIGO que aprendi a me ver de outra forma. A me amar (algo que eu nunca tinha feito). 

Em todo esse processo a coreô com a música da Elza Soares foi a etapa mais emblemática pra mim (ALOU MINA <3). Ali, fazendo um solinho junto com as gurias que admiro tanto e que sabem muito mais do que eu, me senti pela primeira vez potente. Apesar do medo, me senti capaz como nunca antes. E continuar me sentindo assim demanda um esforço diário e que só pode ser feito porque a tua generosidade, teu carinho, teu empenho e a tua alegria estão na minha vida.

Não sei se tinhas ideia do impacto que terias nas nossas vidas quando tu criou o Maravilhosas. Ainda bem. Talvez tudo isso não tivesse sido tão orgânico, bonito, sincero e verdadeiro se tivesse sido minuciosamente planejado.

No teu dia só posso te agradecer por ser a pessoa incrível e única que és e te desejar tu siga firme, determinada, empolgada, linda, forte, divertida e nos lembrando a cada dia do quanto nossos corpos são incríveis e do quanto juntas somos uma força impossível de ser contida. 

Tu começou uma revolução dentro de cada uma de nós e ela reflete a lindeza da pessoa que tu és.

OBRIGADA!


Te amo.

Feliz GRAZI DAY!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Carta pra você


E  até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
(Los Hermanos - Último Romance)

Cara Graziela,

Espero que a minha carta te encontre bem, nesse dia tão importante, que é o da sua chegada no mundo.

A moça aqui é acadêmica, então a carta tem epígrafe e é muito séria. Muito séria porque trata de algo muito especial: meu encontro com você. Mas, antes disso, uma pequena digressão. Quero contar o meu caminho, do qual sim, eu já te falei muitas vezes. Mas a história tem sentido e eu só te encontrei porque a minha história é a minha. E a sua é a sua. Então vamos lá - e prepara o lencinho!

Você já era Grazielinha quando eu nasci. E eu nasci numa família bem complicada, daquelas que só mulheres compreendem: mãe bonita, morena, que conhece cara rico, que era chefe, se apaixona e não percebe um palmo na frente do nariz. Tanto não percebe que não conseguiu identificar nas ausências do cara branco e rico a possibilidade de ele ter outra família. E mamãe decide ser mãe, e é mãe solo. Mãe depressiva que cuida de filha sozinha, que passa a gravidez toda sozinha.

E cresço eu, filha única, de pai meio presente, construindo a minha vida sozinha. Mas sempre cuidada por outras mulheres e alguns outros poucos homens, e desde cedo eu aprendi que eram poucos mesmo.

Com nove anos eu já tinha corpão. E os homens percebiam o meu corpão. E um tio meu resolveu perceber demais, mais do que devia. E isso marcou meu corpo pra sempre.

Passei a me esconder. Passei a achar que meu corpo era digno de vergonha ou digno de abuso. Era digno de qualquer homem, pois eu não podia merecer muito. De relacionamento ruim em relacionamento ruim eu fui quicando. E sempre e a cada vez me sentindo pior, mais dolorida e menos merecedora.

Lá pelas tantas, já na terapia, eu fui entender o quanto essa experiência precoce, com esse tio, tinha me marcado e tinha importância. E eu pirei.

Entrei em parafuso. Sofri muito. Revivi muita coisa. Chorei demais. E a sábia Luciana, minha psicóloga, me disse da importância de compartilhar a minha vida com outras mulheres. Ela me disse: bem vinda ao barco das mulheres. E fui eu, sem muito saber como, caçar marujas pra esse barco que me assustava tanto.

E topei com um post num grupo abençoado com alguém perguntando sobre aula de dança. E vi teu comentário lá, falando das Maravilhosas. E aí começou o meu namoro.

Fucei todas as coisas que podia a teu respeito, a respeito das aulas e me examinei pra saber, pra verificar se eu tinha coragem. E demorei pra conseguir te escrever. Outras coisas ruins vinham acontecendo, meu padrinho, um dos poucos homens bons que eu conheci na vida estava em estado terminal de um câncer muito agressivo e eu estava mais sem chão do que o de costume. No trabalho as coisas não iam bem; mulheres mais velhas, maltratadas pelo machismo que nos assola, normalmente têm problemas comigo. E no trabalho a minha chefe era assim. Então era humilhação atrás de humilhação. Então eu precisava mesmo, ou pelo menos assim eu pensava, me verificar pra ver se teria forças, porque conviver com outras mulheres, que talvez pudessem competir comigo, não era algo que eu poderia suportar naquele momento.

E eu juntei meus caquinhos, coisa que aprendi desde cedo a fazer sozinha, e te escrevi. Você me chamou de “amor”, “querida” no nosso primeiro contato. E eu resolvi dar um dedinho de confiança.

Não sei se você se lembra, mas eu escolhi uma roupa qualquer pra ir pra aula de dança. Era um sábado e estava muito calor. Eu cheguei tímida, encontrei a Lelê no elevador. Mil vezes pensei em voltar pra trás, em ir pra casa, em voltar pra cama ou pra qualquer outra coisa. Foi um grande desafio aquele dia pra mim.

Assim que eu cheguei você me recebeu com um enorme sorriso, que só não é maior do que o teu coração e o teu dom de receber com amor e paciência as mulheres, as manas todas. E você deu seu texto e seu recado: ali era pra eu me amar e ali meu corpo era bonito. O nó que se formou na minha garganta era compatível com o tamanho do seu coração, pra você ter ideia. Eu quis chorar, quis chorar muito. Ninguém nunca havia dito que meu corpo era bonito do jeito que ele estava, e muito menos que o que ele produzia era bonito. Bonito era seguir as regras, ter quilos a menos e ser bailarina. Não era bonito estar como eu estava.

E o espelho, naquela aula e nas próximas, foi cruel comigo. Nos vídeos eu via o quanto eu tinha dificuldade de me olhar, de olhar pra frente enquanto fazia as coreografias. Se você revisitar esses vídeos, vai ver o quanto eu olho pro chão o tempo todo. E eu briguei muito comigo mesma pra continuar indo apesar do espelho. Acho que foi ali, naquela sala, que eu percebi o quanto eu estava mal. Percebi o quanto eu tinha me descuidado de mim… Eu não tingia mais meus cabelos, estava engordando sem parar, cortando meu cabelo com qualquer pessoa…gastando dinheiro pra ver se me sentia melhor.

E eu sempre fui forte, sabe?! Em Psicanálise, que não é o que eu estudo, o Freud fala da pulsão de vida e da pulsão de morte. A de vida é tudo que faz a gente construir; a de morte, bem…destruir. Minhas amigas sempre me disseram que eu tinha muita pulsão de vida pra conseguir sobreviver a tudo que eu sobrevivi e pra construir tudo que eu construi. Mas nada disso teria sido possível não fossem os encontros, os ambientes por onde eu pude circular e que puderam me fornecer nem que fossem fiapos onde eu pudesse me segurar.

Mas você, de coração e generosidade sem tamanho, não me ofereceu fiapos. Me ofereceu toda a linha e se pôs a fiar comigo, a con-fiar. E se pôs, talvez sem nem perceber, a me desa-fiar.  Você fia comigo e me desata, descostura.

A epígrafe que eu escolhi pra esse texto aqui, de presente de aniversário pra você, veio morar na minha cabeça enquanto eu namorava a ideia desse texto. “E até quem me vê lendo jornal/Na fila do pão, sabe que eu te encontrei”. É, Grazi…você proporcionou um divisor de águas na minha história. E todo mundo, na fila do pão, do mercado, no trânsito, na sala de aula, sabe que eu te encontrei. E não só porque eu falo - e muito - a teu respeito e das Maravilhosas, mas porque a mudança em mim é perceptível há quilômetros de distância.

Hoje eu tenho amigas que me entendem, que passam por dores semelhantes. Hoje eu amo o meu corpo, e amo tanto que nem sei se quero emagrecer! Hoje eu acordo feliz em dia que tem aula, não é tortura como fora no passado. Hoje eu quero me desafiar, quero ficar de ponta cabeça, quero ficar mais forte pra ajudar meu corpo a produzir mais. Hoje eu escolho com prazer o look do dia, hoje eu não me escondo mais. Hoje eu apareço e sorrio. Hoje eu danço pelada. Hoje eu penso em mim em primeiro lugar. Hoje eu sei que homem nenhum me merece completamente, eu é que abro concessões pros mais legais. Hoje eu fico feliz em ver que minha bunda treme, porque você me ensinou que é ela dançando comigo e aí, mesmo quando estou sozinha, não estou, porque tenho minha bunda viva. E tenho você.

Sinto muito por tudo que você sofreu na vida. Pelo tanto que seu corpinho foi maltratado. Pela morte do seu pai. Por todos os homens ruins que passaram pelo teu caminho e por todos que ainda hão de passar. Mas fico muito feliz porque foi só por o seu caminho ser o seu que eu pude te conhecer e que você pôde mudar a minha vida. E eu um pouco da sua, do meu modo, do meu jeito hoje desencucado e que serve de exemplo, exatamente por ter sofrido tudo que sofreu.

Eu te amo, mulher.

Obrigada pela acolhida, por dividir a morada, por ter paciência, por não desistir de mim e, assim, me ajudar a não desistir de viver. Obrigada por ser essa pessoa iluminada, esclarecida, que consegue ponderar até nas horas improváveis - e que, quando não pondera, tira um dia pra pensar e depois manda um baita áudio pra gente dizendo que pensou melhor e que concluiu isso ou aquilo.

Feliz aniversário, guria. E como eu já te disse uma vez, quando você postou no facebook dizendo que o corpo é uma festa…você é um festival.

Um beijo enorme,



Laiz

Tá aqui Grazielinha MUITO orgulhosa do império que construiu, toda passadinha contemplando o caminho.
*sponsored by Mama y Papa Meyer. <3